Qual o verdadeiro papel do estilo de vida na saúde mental?

Quais hábitos de um indivíduo podem causar doenças mentais?

Separa papel e caneta que aqui vai um apanhado do que a ciência tem a dizer sobre esse assunto.

Atividade física

Para você que (como eu) não perde a oportunidade de evitar atividade física, as notícias não são boas. Em se tratando de psiquiatria do estilo de vida, nenhum outro hábito reúne tantas evidências favoráveis quanto a prática de atividade física. Há uma variedade de estudos bem conduzidos demonstrando os benefícios do exercício físico regular em pessoas que sofrem de ansiedade, depressão e outros transtornos.

As diretrizes atuais do Colégio Americano de Medicina Desportiva recomendam que cada sessão de exercícios seja composta por três fases que devem ser realizadas de forma ordenada. Essas fases são o aquecimento, a parte principal e o retorno à calma.

Já frequência, intensidade, duração e tipo de exercício vão depender dos objetivos e (claroooo) das condições de saúde do praticante. Para redução dos sintomas de depressão em adultos, por exemplo, o mais indicado é a prática de pelo menos 90 minutos semanais de atividade física.

Alimentação

A psiquiatria nutricional é um campo de pesquisa muito novo e os resultados dos estudos realizados até o momento são insuficientes. Há pesquisas sobre diversos temas, tais como:

  • probióticos
  • prebióticos
  • dietas isentas de caseína
  • dietas isentas de glúten
  • dieta cetogênica
  • dietas personalizadas (com base na genética, no metabolismo e no fenótipo)

A verdade é que a ciência ainda não é capaz de dizer, por exemplo, se probióticos podem diminuir os sintomas depressivos de pacientes ou se dietas com eliminação de alergênicos podem melhorar os sintomas de TDAH.

Manejo do estresse

Resposta de estresse

Os eventos estressores geram no nosso corpo um conjunto de alterações chamadas de resposta de estresse.

Se a resposta de estresse continuar pode haver alteração da estrutura cerebral e prejuízo da memória, do aprendizado, da atenção e da capacidade de planejamento de um  indivíduo. A resposta de estresse prolongada também pode comprometer a imunidade deixando as pessoas mais vulneráveis a infecções.

Como ela aparece?

Resposta: de forma automática e involuntária. Infelizmente.

Resposta de relaxamento

Situações de calma e segurança produzem em nós um sensação de bem estar conhecida como resposta do relaxamento. Mas a resposta de relaxamento é bem mais do que uma sensação de bem-estar. Ela interrompe a reposta de estresse e  promove o equilíbrio das funções do nosso corpo.

Como ela aparece?

Resposta: ela pode aparecer de forma involuntária, quando estamos diante de uma situação em que nos sentimos seguros. Mas também pode ser produzida de forma voluntária através de meditação, ioga e treinamento autógeno.

Agora a gente já sabe que estresse contínuo tem efeito danoso e que meditação (ou qualquer outra prática que produz reposta de relaxamento) pode bloquear esse efeito.

Sono

Está mais do que comprovado que insônia e outros transtornos do sono comprometem a saúde física e mental. Quem dorme mal tem maiores chances de desenvolver ansiedade, depressão e queixas de memória. O risco de suicídio também é maior entre esses pacientes.

A boa notícia é que há diversos tratamentos disponíveis e de eficácia comprovada. Intervenções não medicamentosas, por exemplo, foram capazes de melhorar os sintomas depressivos de pacientes com queixas de sono em vários estudos.

Há um texto sobre insônia disponível aqui no nosso site.

Relacionamentos saudáveis

Quando a gente fala de saúde mental, os relacionamentos têm um papel da maior importância. Tanto é que resolvi deixar esse assunto para um outro post. Vou um escrever um texto dedicado inteiramente ao tema.

Até breve!

To be continued…

Referências Bibliográficas

Carvalho APL, Lafer B, Schuch FB, editors. Psiquiatria do estilo de vida: Guia prático baseado em evidências. 1st ed. Santana de Parnaíba: Manole; 2021.

Miguel EC, Lafer B, Elkis H, Forlenza OV, editors. Clinica psiquiátrica: As grandes síndromes psiquiátricas. 2nd ed. São Paulo: Manole; 2021. 2 vol.

 

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